Necropolítica

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O termo necropolítica, que vem sendo muito utilizado ultimamente, é um conceito desenvolvido pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achile MBembe, em 2003.

Basicamente, o conceito da necropolítica é a discussão sobre o uso do poder social e político para determinar como algumas pessoas devem viver, enquanto outras devem morrer.

O momento que estamos vivendo, especialmente diante dos últimos acontecimentos, é um exemplo perfeito e cruel do que é a necropolítica. A classe média, burguesa, hipócrita e higienista, encontrou no meio político o ambiente perfeito para implantar a necropolítica, ou seja, determinar quem deve viver e quem deve morrer, critério esse tomado basicamente por duas variáveis: classe social e raça.

Os pobres e os pretos já nascem condenados, portanto, dentro dessa lógica neonazista, não são merecedores da vida. A morte dessas pessoas é necessária, uma mera questão de deixar o mundo mais limpo, mais respirável.

O energúmeno que hoje é o presidente desse país é o protótipo do necropolítico, pois sua vida foi dedicada ao ataque às minorias e, em campanha, disse com todas as letras que tinha que metralhar a petralhada.

Esse energúmeno encontrou eco numa sociedade podre, elitista, burguesa e que concorda com ele, ou seja, as minorias têm que se curvar, exatamente por serem minoria, pois é a maioria que deve mandar.

Não se engane, Bolsonaro não ganhou pelo combate à corrupção, isso pouco importa ao brasileiro classe média, hipócrita e corrupto. Essa maldita raça pode ser tudo, menos antropofágica, ou seja, não se autodestruiria, pois se existe uma classe corrupta até a alma, é a nossa elite. Bolsonaro foi eleito pela identidade entre os fascistas disfarçados, que até então, tinham que se controlar, mas que agora, com um líder a altura, se arrogam no direito de sair matando com as bênçãos do Estado.

Cito o energúmeno mor, pois tudo começou com ele, mas temos muitos outros, como os nazistas governadores do Rio de Janeiro e São Paulo, outros genuínos exemplares dessa classe elitista, podre e criminosa.

O massacre em Paraisópolis só deixa isso escancarado. A versão da polícia não convence, exceto aos neofascistas, que querem ver o sangue do negro e do pobre escorrendo pelas valas, consumando um processo que era o sonho de Hitler.

O verme do governador de São Paulo, o Estado mais conservador da Federação, naturalmente e como já esperado, saiu em defesa dos policiais, alegando que a polícia paulista é a mais bem preparada do país e que tem rígidos protocolos em situações de confronto.

Pois então está na hora de pegar essas merdas de treinamentos e protocolos e colocar fogo! Que protocolo é esse que manda encurralar pessoas e agredi-las até a morte? Que protocolo manda abrir fogo numa aglomeração de mais de cinco mil pessoas porque uma “meia dúzia de bandidos” afrontou a polícia?

Não, isso não cola mais, exceto, como já falei, para aqueles que também tem o sangue dessas nove vítimas nas mãos, pois apoiam essa atitude covarde, estúpida e criminosa. Os nove mortos eram os considerados bandidos? Ou foram apenas danos colaterais, afinal, alguns inocentes podem morrer?

O problema é que esses alguns inocentes sempre são os pobres! O problema era o funk? Não, não era! O problema era única e exclusivamente a classe social! Festas regadas a músicas altas, drogas e sexo também acontecem, o tempo todo, em universidades de elite, mas você já ouviu algum relato meramente parecido?

Não, claro que não! Porque lá a polícia passa longe! Lá estão os filhos da nata da sociedade, dos que dão ordens para que os pobres, que não possuem nada de melhor na vida, que estão buscando momentos de descontração, da vida de merda que levam, sejam mortos por estarem importunando a ordem pública e infectando a cidade.

Sabe, estou cansado, estou exausto, estou indignado e nem existem palavras que expressem tudo o que sinto, mas certamente nojo e ódio são boas definições! Eu já cheguei a criticar uma fala da Marilena Chauí, mas hoje eu vejo que ela estava coberta de razão: “a classe média brasileira é odienta”.

Não se engane, o que define a classe média não é o quanto você ganha, mas sim, o que você pensa, seus valores e como você se comporta em situações como essa. Se você aplaude a morte desses nove jovens, sim, você faz parte de uma classe média odienta e desprezível!

Todos os dias explodem casos de abusos, violências gratuitas e, na grande maioria das vezes, morte de inocentes! Sim, inocentes, porque até que a pessoa seja julgada e condenada em todas as instâncias, ela é inocente, mas isso só vale para os ricos, não é mesmo? O pobre, só por nascer pobre, já é culpado! O negro, só por ser negro, já nasceu condenado a ter que passar o resto da vida se justificando e provando sua inocência!

Não dá mais para aceitar isso como algo normal e só não enxerga quem também é fascista! Já falei isso várias vezes, mas é isso mesmo, é para deixar claro a minha indignação e a minha revolta com esses fascistas de merda!

O que pode ser mais hipócrita do que o cristão, temente a Deus, que vai a missa ou culto aos domingos e, ao mesmo tempo, aplaude o extermínio de pobres e negros? É a mesma atitude secular: terço numa mão e chicote na outra.

Pois bem, já que você é tão Cristão e religioso, só te digo uma coisa, você e toda essa corja vão descer de tobogã para inferno e vão cair sentados no colo do capeta, onde vão passar o resto da eternidade sendo torturados, é só isso que desejo a vocês. Que esse Deus raivoso e cruel que vocês acreditam possa lhes retribuir na medida certa, e que o chifre do diabo esteja bem afiado!

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